Carlos Nuzman mostra cinismo e ingratidão 

O presidente do COB e do comitê Rio-16, Carlos Arthur Nuzman, não tem salário, mas tem suas fontes Carlos Nuzman está feliz e aliviado. O povo gostou da festa, os Jogos aconteceram e, apesar dos pesares, não houve nenhuma tragédia. Se a Olimpíada esteve longe de ser a melhor de todos os tempos, será inesquecível para quem a viveu. A definição perfeita sobre a Rio-16 veio do presidente do COI, Thomas Bach, que se referiu a ela, diferentemente da praxe a cada edição, não como a melhor, mas como uma “Olimpíada à brasileira”. Isso mesmo! À brasileira. Com tudo que a expressão resume, entre qualidades e defeitos, vantagens e desvantagens. O nosso calor humano, a nossa alegria, a nossa desorganização, a complacência, o jeitinho e o improviso. É sabido que o importante são as competições e estas, graças ao COI, aconteceram brilhantemente, como brilhante foi o trabalho do SporTV, pau a pau com o que fez a BBC quatro anos atrás. Mas Nuzman, treinado em usar o discurso para esconder o pensamento, vê tudo cor de rosa, nega o inegável, foge até da avaliação do desempenho esportivo do Time Brasil. Fique claro que dá na mesma chegar em décimo ou em 13º lugar. Com raras exceções, nada é fruto de uma política, quase tudo é por geração espontânea. Tivesse chegado em nono e seria igualmente falso e não há por que esperar mais enquanto o Brasil não tiver Política Esportiva. Além de cínico, diz não ter salário, mas “suas fontes”, Nuzman é ingrato. Ingrato com o ex-presidente Lula ao não citá-lo em nenhum momento, ele que foi o diferencial para permitir, na quarta candidatura, a vitória brasileira. Monoglota e megalomaníaco, Lula não foi citado ou por ingratidão ou por covardia, porque ganhou no discurso de Barack Obama. Ingrato também ao nem sequer agradecer aos empresários cariocas que financiaram a candidatura, como se não existisse ninguém além dele, Nuzman.

Fonte: Carlos Nuzman mostra cinismo e ingratidão – 23/08/2016 – Juca Kfouri – Colunistas – Folha de S.Paulo

Você pode gostar...