Arquivo mensal agosto 2018

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Álcool X Gordura Corporal

Em alguns países, o álcool aparece como a quinta maior fonte energética, perdendo para a farinha, leite, batatas e açúcar. O ponto é que quem gosta de beber geralmente não segue um estilo de vida saudável, muito menos tem consistência em seguir uma rotina planejada de treinamento e dieta. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

ENTENDA DE UMA VEZ POR TODAS
1-Cada grama de etanol metabolizado, são formadas 7,1 kcal/g, uma fonte energética considerável (“CALORIAS VAZIAS”), além do mais a ingestão de álcool sempre está associada a outras fontes calóricas (frituras e carboidrato refinados=maior deposito de gordura no corpo).
2- O álcool é apontado como ESTIMULADOR DO APETITE. Evidencias mostram que estimular vários sistemas neuroquímicos implicados no apetite, como: a inibição da leptina, glucagon-like-peptide-1 e serotonina, além de realçar o efeito do ácido gama-aminobutírico, opióides endógenos e neuropetídeo Y. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
3- O álcool tem prioridade no metabolismo, alterando outras vias metabólicas, incluindo a oxidação das gorduras, o que favorece o estoque de gorduras no organismo, que se depositam preferencialmente na REGIÃO ABDOMINAL.
4- O álcool causa um AUMENTO NA PROLACTINA, AUMENTO NA ATIVIDADE DA ENZIMA AROMATASE E DANO OXIDATIVO NA PRODUÇÃO DE TESTOSTERONA, fatores que contribuíram para o acúmulo de gordura pelos efeito “feminilizante” no corpo.
5- O mecanismo de absorção e diluição dá-se pela concentração, quanto maior a concentração do álcool maior sua absorção, porém existe um limite para este efeito, altas concentrações inibem este processo. Outro fator que influencia sua absorção é a presença de alimentos sólidos ( como acontece normalmente) retardando o esvaziamento gástrico e consequentemente sua absorção, estes fatores podem influência a circulação do álcool no organismo entre 24 a 72 hrs.

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Casos crescem e índice de vacinação diminui

Enfermeira na Arena Sul da Cies Global em Santo Amaro. Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress

Outros fatores, como circulação de pessoas pelo país, contribuem para maior incidência de sarampo e febre amarela

 Enfermeira na Arena Sul da Cies Global em Santo Amaro. Foto: Lalo de Almeida

O avanço na mortalidade por doenças crônicas não é o único alerta no sistema de saúde.

Com a queda nas taxas de vacinação, o Brasil tem visto crescer nos últimos meses o risco de ressurgimento de doenças transmissíveis até então consideradas eliminadas -ou que estavam nesse caminho.

É o caso do sarampo. Dois anos depois de ter recebido certificado que atestava sua eliminação, dados do Ministério da Saúde já apontam mais de 1.420 casos confirmados.

O número é pouco maior do que o país havia registrado em 1999, dois anos antes do fim da transmissão local.

Para o epidemiologista Pedro Tauil, da UnB, esse avanço já era esperado devido à queda na cobertura vacinal e à ocorrência de surtos em outros continentes, como Europa, e países, caso da Venezuela.

Em 2017, a cobertura de vacinação de crianças atingiu o menor índice em mais de 16 anos, conforme mostrou a Folha em junho.

“Você vê que a doença entrou facilmente porque encontrou uma população que não estava vacinada”, afirma Tauil. Segundo ele, a situação mostra que o Brasil vive um cenário hoje mais complexo em termos epidemiológicos -e com forte risco de retrocesso também em relação a outras doenças caso descuide de políticas de controle.

O alerta é reforçado por outros especialistas. Isso porque, ao mesmo tempo em que o país se divide entre a permanência de velhas ameaças e o risco de ressurgimento de outras até então eliminadas, novos fatores como a maior circulação de pessoas elevam a chance de entrada de novas doenças -o que pode sobrecarregar ainda mais a rede de saúde.

“Vemos o ressurgimento de doenças que eram consideradas resolvidas ou superadas, além do surgimento de outras que não estavam no quadro”, afirma Cláudio Maierovitch, sanitarista da Fiocruz Brasília.

É o caso de arboviroses como zika, chikungunya e febre oeste do Nilo, que passaram a circular no país nos últimos cinco anos.

Já entre os desafios conhecidos e sob risco de aumento, Maierovitch cita como exemplo a malária, doença que, após atingir o menor número de casos em 37 anos, voltou a crescer no país em 2017.

Naquele ano, foram 193 mil casos, um aumento de 50% em relação a 2016. Neste ano, só de janeiro a maio, já são mais de 92 mil. A situação ameaça o plano de eliminação da malária, firmado em 2015 e previsto para ser concluído até 2030.

“É uma doença que provavelmente cresceu pela redução nas ações de controle.”Alerta semelhante ao que atualmente ocorre com a febre amarela. Em 2017, o país teve recorde de casos confirmados e mortes pela doença. Neste ano, o total de registros se manteve em alta -foram pouco mais de 1.260 de janeiro a maio.

A taxa de vacinação, porém, ainda é considerada baixa: 57,5%, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Diretor de doenças transmissíveis do ministério, Renato Alves admite o desafio. Para ele, dados indicam que, além da dificuldade em manter a vacinação, há um novo padrão de transmissão.

“Até então, o país produzia nos anos de grandes surtos cerca de 30 a 40 casos. Mas chegamos nos últimos dois verões a cerca de 4.000 casos. Embora não tenhamos dúvida de que a febre amarela ainda ocorre apenas em âmbito silvestre, ela alcança uma magnitude nunca vista”, afirma.

Agora, resta ao país aumentar a vacinação na tentativa de evitar novos casos.”Em uma doença como o sarampo, vemos que a vacinação de uma parcela já gera uma proteção de grupo. Na febre amarela, como a transmissão é por um vetor, isso não ocorre”, diz, referindo-se aos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que transmitem a doença.

“Temos que vacinar todas as pessoas que podem se expor se quisermos evitar novo surto porque nada nos garante que não vai ter uma transmissão no próximo verão”, alerta.

GLOBALIZAÇÃO DIFICULTA CONTROL DE SURTOS E EPIDEMIAS

Ainda segundo Alves, o avanço na globalização, as mudanças na ocupação dos espaços, com mais pessoas vivendo perto de áreas de mata, e a manutenção de condições inadequadas de saneamento são fatores que pesam no atual controle de surtos e de epidemias.

“Apesar de vivermos um cenário de transição epidemiológica, vemos que outros fatores começam a ser contabilizados”, diz. “Isso acaba permitindo ou a emergência ou reemergência de doenças transmissíveis, inclusive onde o desenvolvimento foi alcançado.”

Maierovitch concorda. “Vemos que os indicadores vão ficando melhores e as pessoas vivem mais, mas o quadro se torna mais complexo. Isso exige melhor formação e sistema de saúde que talvez não seja tão homogêneo”, sugere.

Para ele, a entrada de novas doenças nos últimos anos leva à necessidade de aumentar a capacitação de profissionais de saúde para identificar os casos e de reorganizar as ações de controle conforme o cenário de cada região.

“É o mesmo que ocorre com a malária. Quando falamos em controle, a maioria das pessoas pensa no mosquito. Mas a principal forma é tratar os casos. Se consigo tratar mais rapidamente todas as pessoas, interrompo a transmissão em um tempo mais curto”, diz.

Também é preciso aumentar as ações de vigilância, mantendo políticas continuadas e não apenas em emergências, aponta.

“Não podemos deixar para fazer uma campanha só quando indicadores estão aumentando. Se uma doença perde a prioridade, volta a crescer.” A máxima vale para epidemias como a dengue, zika e chikungunya.

Segundo Tauil, da UnB, embora tenham registrado queda no total de casos nos últimos dois anos, essas doenças podem voltar a crescer.

“A redução era esperada, decorrente de uma imunidade de rebanho. Daqui a dois ou três anos, volta tudo outra vez. Quando aumenta o numero de pessoas suscetíveis, vem novamente a doença”, avalia. “Enquanto não tivermos vacinas eficazes para essas doenças e eliminação do mosquito, não tem jeito.”

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Renúncia fiscal e emenda parlamentar barram avanço do SUS

Debate da Folha e do Banco Mundial sobre o Futuro do SUS, no auditório da Folha, em São Paulo. Foto: Eduardo Anizelli/ FolhapressRedução do orçamento e má distribuição de recursos prejudicam o sistema de saúde, dizem especialistas

Debate da Folha e do Banco Mundial sobre o Futuro do SUS, no auditório da Folha, em São Paulo. Foto: Eduardo Anizelli/ Beatriz Maia e Leonardo Neiva

É consenso entre especialistas que o SUS (Sistema Único de Saúde), que completou três décadas neste ano, precisa passar por uma reforma estrutural. Entre os principais gargalos que travam a eficiência da saúde pública, estão as renúncias fiscais e as emendas parlamentares.

Essa foi uma das conclusões apontadas pelos palestrantes que participaram do seminário E Agora, Brasil? Saúde – O futuro do SUS, realizado pela Folha em parceria com o Banco Mundial, na terça-feira (21), em São Paulo.

O evento aconteceu no auditório do jornal e teve a mediação da jornalista e colunista da Folha Cláudia Collucci.

As renúncias tributárias são perdas de arrecadação que o governo registra ao reduzir impostos com caráter compensatório ou incentivador.

Neste ano, o total de renúncia fiscal do governo federal em todos os setores da economia é estimado em R$ 283,4 bilhões, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União).

O presidente do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde, Mauro Junqueira, chamou a atenção para o fato de que o montante é o dobro do orçamento do Ministério da Saúde -de R$ 125,3 bilhões em 2017.

Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde - "Quando alguém tem um acidente, quem salva a vida não é o plano de saúde, é o Samu. O Luciano Huck e a Angélica tiveram um acidente de avião e foi o Samu quem os levou ao hospital"
Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde – “Quando alguém tem um acidente, quem salva a vida não é o plano de saúde, é o Samu. O Luciano Huck e a Angélica tiveram um acidente de avião e foi o Samu quem os levou ao hospital” – Eduardo Anizelli/Folhapress

“Nos últimos 15 anos, foram concedidas renúncias fiscais que somam R$ 4 trilhões. Isso dá 30 anos de orçamento do Ministério da Saúde”, afirmou Junqueira.

A relevância das renúncias fiscais individuais, como a dedução do Imposto de Renda dos gastos com saúde, também foi questionada.

Para a professora de economia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Mônica Viegas, o abatimento dos tributos não é o que determina a decisão pessoal de contratar um plano de saúde.

Mônica Viegas, professora da Universidade Federal de Minas Gerais -"O Sistema Único de Saúde é a maior política social e a maior política de transferência de renda que temos no Brasil, que funciona muito mais até do que o Bolsa Família"
Mônica Viegas, professora da Universidade Federal de Minas Gerais -“O Sistema Único de Saúde é a maior política social e a maior política de transferência de renda que temos no Brasil, que funciona muito mais até do que o Bolsa Família” – Eduardo Anizelli/Folhapress

Os especialistas citaram como exemplos do impacto negativo das renúncias tributárias os benefícios dados à produção de motocicletas na Zona Franca de Manaus e à indústria de bebidas açucaradas, já que ambas ajudam a aumentar as filas do sistema de saúde brasileiro.

No caso das motos, a região responde por cerca de 98% da produção nacional do veículo, segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas).

Em 2016, elas estiveram envolvidas em 32% dos acidentes fatais, o tipo de veículo que registrou mais mortes no trânsito brasileiro, de acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária.

“Quando não levam embora a vida de jovens trabalhadores, elas causam a aposentadoria deles. E, mesmo assim, vamos continuar dando isenção fiscal para motos?”, questionou Junqueira.

Também apontadas como importante entrave na organização da gestão da saúde brasileira, as emendas parlamentares são uma espécie de atalho no orçamento, e dão a deputados e senadores acesso a verbas públicas que são distribuídas em bases eleitorais.

Segundo o presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde, Leonardo Vilela, as emendas desorganizam e contribuem para a ineficiência do sistema. “Você tem um equipamento ou uma unidade de saúde implantada sem planejamento, obedecendo a critérios políticos do parlamentar e de sua base de apoio.”

Leonardo Vilela, presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde - "As unidades de saúde estão cada vez piores, com queda no atendimento e na avaliação. Isso mostra a deterioração por ineficiência e falta de financiamento. A saúde pública terá um colapso"
Leonardo Vilela, presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde – “As unidades de saúde estão cada vez piores, com queda no atendimento e na avaliação. Isso mostra a deterioração por ineficiência e falta de financiamento. A saúde pública terá um colapso” –Eduardo Anizelli/Folhapress

Junqueira citou como exemplo a compra de um mamógrafo em um município com menos de 20 mil habitantes, feita por meio de emenda.

“Foi colocado em um lugar onde ele não era necessário. Diminuíram o orçamento que deveria ser investido em saúde para que pudessem fazer uma graça dentro do seu curral no parlamento”, afirmou.

Neste ano, os parlamentares terão uma verba total de R$ 8,8 bilhões em emendas individuais, aquelas que pela Constituição o governo é obrigado a executar.

Os especialistas também destacaram no debate outras medidas de mudanças na gestão que precisam ser tomadas para alavancar a eficiência do sistema de saúde.

Um dos caminhos deve ser a implantação do prontuário eletrônico, registro unificado com dados dos pacientes do sistema de saúde em todo o Brasil, que facilitaria o uso dessas informações em um sistema inteligente, segundo a professora Mônica Viegas.

Reduzir a quantidade de pequenos hospitais e combater fraudes no sistema também aumentariam a eficiência, de acordo com Renato Tasca, coordenador de serviços de saúde da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil.

“Mas, para melhorar a gestão, temos também de investir. É um esforço contínuo. Não podemos cair na armadilha de pensar que, aumentando a eficiência, podemos cortar recursos”, afirmou.

Renato Tasca, coordenador de sistemas e serviços de saúde da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil - "Não podemos pensar que um corte de financiamento no SUS, por mágica, vai produzir uma maior eficiência. Para melhorar a gestão, temos também de investir"
Renato Tasca, coordenador de sistemas e serviços de saúde da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil – “Não podemos pensar que um corte de financiamento no SUS, por mágica, vai produzir uma maior eficiência. Para melhorar a gestão, temos também de investir” – Eduardo Anizelli/Folhapress

O economista sênior do Banco Mundial Edson Araújo destacou que é importante para a melhora do sistema mudar a percepção de baixa qualidade do SUS.

“Se o Brasil quer ter seu sistema público de saúde bem consolidado, tem de ganhar a classe média. Se não houver percepção da qualidade, será difícil sustentar o SUS.”

Edson Araújo, economista sênior do Banco Mundial - "Os médicos ganham mais que a média dos 10% mais ricos da população. Em outros países, não se chega nem perto disso. Precisamos refletir o retorno que se tem desse pagamento"
Edson Araújo, economista sênior do Banco Mundial – “Os médicos ganham mais que a média dos 10% mais ricos da população. Em outros países, não se chega nem perto disso. Precisamos refletir o retorno que se tem desse pagamento” – Eduardo Anizelli/Folhapress

Para Viegas, a incerteza gera perda de bem-estar para a população. “Se tivermos um sistema que informe à sociedade o tempo que cada um vai esperar para ser atendido, tenho a certeza de que as pessoas vão mudar de posição.”

Segundo Tasca, aprimorar a atenção básica é estratégia fundamental para melhorar o SUS. Também conhecido como atenção primária, o serviço é responsável pela prevenção de doenças, solução de casos simples e direcionamento para atendimentos de média e alta complexidades.

Jocelino de Menezes, secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde -"Essa epidemia de emendas parlamentares é uma doença genuinamente brasileira, que precisa ser erradicada. Não podemos fazer gestão por meio de emendas e, pior ainda, de emendas impositivas"
Jocelino de Menezes, secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde -“Essa epidemia de emendas parlamentares é uma doença genuinamente brasileira, que precisa ser erradicada. Não podemos fazer gestão por meio de emendas e, pior ainda, de emendas impositivas” – Eduardo Anizelli/Folhapress

Uma das saídas para esse aprimoramento é aumentar o escopo da prática de profissionais da saúde. Segundo Araújo, no Canadá e no Reino Unido, países onde o modelo do SUS foi inspirado, o primeiro ponto de contato na atenção básica são os enfermeiros, e não os médicos.

“Essa medida poderia ajudar a tirar do sufoco os municípios que querem expandir a atenção primária”, afirmou.

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Ampliar lazer reduz insegurança e solidão nas cidades, diz pesquisadora

O aumento do investimento em atividades de lazer pode fazer com que as pessoas fiquem menos sós nas cidades e tornar as ruas mais seguras. É o que defende Cristina Ortega, chefe acadêmica e operacional da Organização Mundial do Lazer (WLO, na sigla em inglês).

Ortega, 48, é doutora em Lazer e Desenvolvimento Humano pela Universidade de Deusto, na Espanha, e participa nesta semana do 15º Congresso Internacional de Lazer, realizado pela WLO e pelo Sesc, em São Paulo, de terça (28) a sábado (1º/9). O evento debaterá como as práticas de ócio podem enfrentar desafios como o aumento do uso da tecnologia, o envelhecimento da população e o crescimento da imigração.

Ações já realizadas em São Paulo, como a abertura da avenida Paulista aos pedestres e a expansão de ciclovias e de serviços de empréstimos de bicicleta são elogiadas por Ortega , que conversou com o blog por telefone.

 

Folha – Como as cidades podem aumentar o uso dos espaços de lazer?
Cristina Ortega – Independente do tamanho da cidade, é preciso eliminar barreiras, como a distância e o preço. A educação desempenha um papel fundamental. É preciso desenvolver políticas para que os cidadãos tenham acesso a uma educação de lazer desde a infância, de tal maneira que eles desfrutem da cultura, do esporte, do turismo e da recreação. Lamentavelmente, na maioria dos paises, isso é muito escasso.

Como as prefeituras podem ajudar nisso?
É fundamental que os espaços públicos recebam diferentes atividades culturais, recreativas e esportivas. Muitas cidades fecham suas ruas para carros e as abrem para pedestres. Isso ajuda as pessoas a ter acesso à recreação. As ciclovias e empréstimos de bicicletas levam muitas pessoas, tanto turistas quanto moradores, a verem a cidade de outra maneira.

Os parques lúdicos, tanto infantis quanto para a terceira idade, são interessantes por facilitar a convivência entre gerações. Cidades como Paris e Londres não tem praia, mas criam espaços com areia e piscinas no verão. São iniciativas de baixo custo e que não exigem demasiado esforço.

 

Não sou uma especialista no tema, mas o lazer pode ajudar a eliminar a insegurança em si. Ao organizar atividades e de eventos nas ruas e praças, esses lugares ficam ocupados pelas pessoas. Quando esse espaço público está com gente, aumenta a sensação de segurança. Mas é um processo de médio a longo prazo.

Há atividades de lazer que trazem mais resultado do que outras?
O que uma cidade pode fazer para que seus cidadãos sejam mais felizes? Hoje, o mais importante são as relações sociais. Estar com amigos, com a família. Pequenas intervenções ajudam a fortalecer esses laços e a fazer as pessoas mais felizes.

Uma das melhores experiências de lazer que tive foi num cinema ao ar livre numa praça de Bolonha, na Itália. Eram projetados filmes antigos, em branco e preto, em uma área cercada por um patrimônio cultural incrível. Não tem a ver só com cultura e patrimônio, mas um cinema ao ar livre pode promover estas pequenas ações, como dividir um lanche, que ajudam as pessoas a estar juntas. O filme é o de menos.

Cinema ao ar livre em Bolonha, na Italia (Wikimedia Commons)

Como as políticas de lazer têm mudado nas últimas décadas?
A partir do final do século passado, as cidades passaram a desenvolver dois tipos de políticas. Algumas investiram na criação de grandes estruturas, como Bilbao, que fez o museu Guggenheim, para projetar uma imagem no exterior e atrair turistas. Já outras criaram políticas voltadas a eventos, que são feitos nas ruas, como festivais de cinema, eventos esportivos etc.

Há também ações como o movimento do grafite, que se desenvolveu de forma espontânea. E o aumento da preocupação com a saúde fez com que as ruas se enchessem de pessoas fazendo esporte, como a corrida.

O lazer por meio dos meios digitais têm os mesmos efeitos?
90% do nosso lazer é realizado via smartphones e tablets. Essa foi uma mudança radical. Não me atrevo a dizer se é algo bom ou ruim. É como tudo: tem que ter um uso equilibrado, sem abusos, sem dependência.

Também mudou todo o conceito de conexão. Nosso ócio hoje é conectado. Saímos para correr usando uma pulseira e estamos ligados a uma comunidade que também corre. Estamos jogando um game sozinhos, mas em contato com outras pessoas ao redor do mundo que dividem um mesmo interesse. Isso era inimaginável antes.

Dados do governo da Espanha mostram que os jovens de hoje saem menos do que antes, na comparação com outras décadas. Eles também se drogam menos. Mas, por outro lado, é a primeira vez que se identificam tantas pessoas que nunca saem. Muita gente vive o lazer por meio da tecnologia e não precisa sair. Isso gera o risco de solidão.

Quais são as tendências atuais de lazer?
Há diferentes movimentos, e todas têm relação com mudanças sociais, como o envelhecimento e a imigração. O lazer pode ajudar os idosos a se sentirem menos sós e mais integrados com a comunidade. Para os imigrantes, tem um papel fundamental. É pelo lazer que eles se integram a uma nova sociedade.

As pessoas também estão tirando férias mais curtas. Essa pausa já não dura um mês inteiro. Porém, se viaja muito mais, pois há passagens mais baratas. E novos modelos de negócio colaborativo [como o Airbnb] também ajudam a fazer com que mais gente tenha acesso ao turismo.

Algumas tendências também surgem como contraposição. Como resposta à tecnologia, ao tempo acelerado, ganham força movimentos como o “slow food” e a volta ao artesanal.

Há atividades de lazer que perderam interesse?
Não creio que as atividades desapareçam, mas que se passa a fazê-las de outra maneira. Uma das tendências é que as pessoas leiam menos. Só que elas consomem menos livros, mas mais textos curtos. Os jogos de mesa perderam território, porém ganham relevância os games no celular. Antes íamos muito ver filmes no cinema e agora temos uma geração Netflix. As formas mudam, mas as atividades seguem parecidas.

 

Serviço: 15º Congresso Mundial de Lazer.  Sesc Pinheiros. R. Paes Leme, 195. Pinheiros. São Paulo, SP. De 28/8 a 1/9. Inscrições esgotadas.

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TRTs ignoram reforma trabalhista e reajustam processos acima da inflação

Os maiores TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho) do país ignoram a nova CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho, na correção de dívidas trabalhistas e aplicam um índice mais vantajoso para os empregados.

Dos 24 TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho), ao menos sete neste ano já contrariaram a reforma trabalhista, em vigor desde novembro de 2017.

Decisões dessas cortes corrigiram passivos, como horas extras, com o IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial), uma derivação do índice oficial de inflação.

A nova lei estabeleceu a atualização dessas dívidas, enquanto os processos correm na Justiça do Trabalho, pela TR (Taxa Referencial), usada para remunerar a poupança.

O uso do IPCA-E se fundamenta em uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), de 2015. A corte determinou sua aplicação na atualização de precatórios –dívidas públicas de municípios, estados e União em ações judiciais.

“Como um julgamento de precatórios pode servir de precedente para um débito trabalhista?”, questiona Cleber Venditti, advogado trabalhista e sócio do escritório Mattos Filho.

Embora a TR tenha sido criada em 1991, durante o governo Fernando Collor, e hoje esteja em desuso em razão de uma nova realidade econômica, Venditti critica os critérios atuais de correção.

“Os juros aplicados pela Justiça do Trabalho, de 1% ao mês, também não refletem muito dos indicadores do mercado”, afirma o advogado.

Desembargadores, porém, têm entendimento diferente.

Integrantes dos tribunais de São Paulo (capital, região metropolitana e Baixada Santista), Campinas (interior paulista), Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Bahia, mesmo após a reforma, aplicaram o IPCA-E. Decisões ainda afirmam que a mudança introduzida pela reforma é inconstitucional.

O presidente do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho), ministro João Batista Brito Pereira, encaminhou um ofício aos presidentes dos tribunais para informar que uma nova tabela de correção monetária terá como base o IPCA-E. O documento é uma recomendação.

Brito Pereira, que também preside o TST, aguardava apenas a conclusão de uma ação na 2ª Turma do Supremo para editá-la. O trânsito em julgado –quando não cabem mais recursos– foi declarado no dia 15 de agosto. Segundo o TST, a tabela ainda não foi definida.

Turmas da própria corte superior também aplicaram o IPCA-E. Os tribunais mineiro e baiano têm decisões divergentes, a favor da TR.

A constitucionalidade da mudança na CLT ainda não foi analisada pelo Supremo.

“O ideal é que o STF, quer por liminar, quer no mérito, decida rapidamente sobre a questão”, diz Venditti.

No dia 16, a Consif (Confederação Nacional do Sistema Financeiro) ajuizou uma ação no Supremo em defesa da TR. A entidade reúne Fenaban (federação dos bancos), Fenacrefi (instituições de crédito), Fenadistri (títulos e valores mobiliários) e Fenaseg (seguradoras).

Prédio do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) na Barra Funda, em São Paulo – Eduardo Knapp/Folhapress

A Consif pede uma liminar (decisão provisória) para obrigar a atualização pela TR.

“Há o risco da insegurança jurídica. Há um critério estabelecido pela legislação que vem sendo afastado pela Justiça do Trabalho, criando uma indesejada indefinição para todas as partes e para a economia, e que só poderá vir a ser solucionada pelo STF”, diz o advogado Fábio Lima Quintas, um dos autores da ação.

De acordo com ele, a substituição da TR pelo IPCA cria distorção econômica. “Ela transforma uma dívida judicial trabalhista, não em uma legítima indenização, mas em um investimento, oferecendo rendimento superior, por exemplo, ao dobro do que se obtém nos títulos públicos.”

Na ação, Quintas escreve que o uso do IPCA-E “traduz usurpação da competência legislativa conferida pela Constituição à União para legislar sobre regime monetário”.

O presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), Guilherme Feliciano, diz que a entidade vai pedir para ingressar no processo.

“Essa ação da Consif abriu muitas portas, suscitou muitas polêmicas. A Anamatra deverá entrar como amiga da corte para sustentar que o índice correto é o IPCA-E”, afirma o juiz do trabalho.

Segundo Feliciano, a ação da Consif foi para a relatoria de Gilmar Mendes por prevenção, quando se trata de um processo sobre um mesmo assunto já em análise no Supremo.

“Isso se deu em razão de uma ADI [ação direta de inconstitucionalidade] da Anamatra, na qual questionamos o novo regime de depósito recursal, que determina também a TR”, afirma Feliciano.

Enquanto o STF não decide sobre o tema, o sócio do escritório Siqueira Castro e professor de direito do trabalho da USP Otavio Pinto e Silva diz que tanto empregado como empregador perdem.

“Um juiz pode aplicar TR e outro, IPCA-E. Uma mesma cidade, por exemplo, pode ter decisões distintas para trabalhadores de uma mesma empresa”, afirma Pinto e Silva.

Segundo ele, agora o caso está só com o Supremo. “É um ponto de direito material da reforma trabalhista que vai ser decisivo para se corrigir ações novas e também as antigas.”

No entanto, para Silva, cabe ao Legislativo definir a taxa ideal. “Ainda temos a lei. A lei diz que é TR. Se está errado, muda então a lei.”

Fonte: TRTs ignoram reforma trabalhista e reajustam processos acima da inflação – 29/08/2018 – Mercado – Folha

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Menos álcool e carboidrato e até lipo 3D são caminhos para barriga definida

Cirurgia pode ajudar quem quer tanquinho, mas só é indicada para quem tem peso ideal

Ter uma barriga tanquinho demora: são meses de dieta persistente, treinos na academia, quilos levantados e muita dedicação. Mas existe um grupo de pessoas que, mesmo depois de se submeter a todo esse circuito de suor por meses, não consegue alcançar o tão sonhado abdômen trincado.

O que será que elas estão fazendo de errado no caminho rumo ao six pack?

A resposta costuma estar na alimentação. Há, obviamente, quem tenha maior estoque de gordura por questões genéticas, mas, no geral, é o que colocamos para dentro do corpo que faz com que ele construa adiposidades onde ninguém quer.

E, entre os maiores vilões à mesa, um dos campeões é o álcool. A nutricionista e gastróloga, especialista em nutrição clínica e esportiva Gabriela Cilla explica que não há erro maior do que, depois de se matar na academia, abrir uma cerveja para descontrair. “Se a pessoa tem essa atitude, tudo que ela fez antes foi em vão, porque ela deixa de absorver a testosterona gerada no treino.”

Cilla explica que, quando a ideia é eliminar a barriguinha persistente, o ideal é cortar ao menos 70% do álcool da dieta.

“Não é para parar de beber, mas diminuir”, resume. “A gente acha que bebe cerveja e faz bastante xixi e, por isso, estaria eliminando o álcool, mas, não, estamos apenas desidratando”, completa Maria Flávia Sgavioli, especializada em nutrição clínica funcional. “Isso atrapalha o ganho de massa magra. Fora que as bebidas são extremamente calóricas”.

Além de deixar de lado os drinques, as nutricionistas recomendam, também, pegar mais leve nos carboidratos. “Não é para, de forma alguma, cortá-los da alimentação, mas ajustar o consumo. Para quem pratica atividade física, o ideal é ter em torno de 40% da dieta focada neste grupo”, ensina Sgavioli, que conta que, na alimentação média do brasileiro, esta porcentagem costuma ser de 60%, algo que ela considera muito alto.

“A pessoa pensa assim: ‘Quero perder barriga, então vou cortar só os carboidratos’. Só que tudo que ela ingere em excesso também vira carboidrato no corpo. A proteína, por exemplo, quando em excesso vira carboidrato”, afirma Cilla.

Sobre os suplementos, a médica orienta que se ingira o whey protein no pós-treino ou como um lanche avulso e que se deixe a maltodextrina de lado. “É um açúcar totalmente desnecessário”, justifica. O ideal, porém, é que a indicação para a suplementação de proteína seja feita por um especialista.

E, por falar em açúcar, ela lembra que até mesmo as pequenas doses que adoçam o cafezinho, quando acumuladas, também contam —e muito. Portanto, o ideal é diminuir a quantidade, cortando, especialmente, os refrigerantes das refeições, e beber também mais água. “As pessoas até treinam bem, porém a alimentação delas não é adequada. Elas erram muito por não ter orientação.”

Na opinião do preparador físico especialista em treinamento de força e musculação Marcelo Santana, quando combinada à alimentação adequada, a atividade física sempre oferece caminhos até o corpo dos sonhos —inclusive no caso do “tanquinho”.

“São necessários regularidade e exercícios intensos e pontuais, o que não quer dizer necessariamente muita carga. Algumas pessoas respondem muito bem e rapidamente; outras, menos, por conta da individualidade biológica”, explica.

“Mas não conheço nenhuma pessoa que não tenha feito tudo dentro deste cronograma e não tenha conseguido resultado. Às vezes é preciso recorrer à modulação hormonal, o que não tem nada a ver com anabolizantes, e até nestes casos é possível chegar ao que se espera”.

Ainda assim, há quem tenha pressa e prefira optar pela solução mais rápida: a cirurgia plástica. No cardápio dos consultórios há procedimentos que prometem desde um abdômen “rasgado” de cima a baixo, como é o caso da operação para construir um ab crack, até a chamada lipo 3D, quando são esculpidos os tão desejados “gominhos” na parede abdominal.

“A lipo 3D está indicada para pessoas eutróficas, ou seja, com o peso próximo ao ideal para sua idade e altura. Não é indicada para pessoas que sofrem de sarcopenia (perda de massa muscular) nem para pacientes com flacidez de pele ou com muitas estrias. Também não está indicada para obesos, porque não é um método de emagrecimento”, explica a cirurgiã plástica pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Márcia Freire.

Segundo o cirurgião Pedro Lozano, especializado em cirurgia plástica pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), o método vem se aperfeiçoando nos últimos anos.

“Inicialmente o aspecto não era natural. Com o passar do tempo, muitos destes casos evoluíram com irregularidades”. Para ele, é recomendável, ainda, que apenas quem já tem o abdômen ligeiramente definido opte pela lipo de alta definição, que pode custar alguns milhares de reais.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plastica Niveo Stessen, professor de cirurgia plástica

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Governo eleva pagamento por longa internação em hospital psiquiátrico

“O governo temer continua a esculhambar o SUS.
Agora e mudança da política de saúde mental.
Muito preocupante.”

Aumento de até 60% vai na contramão da diretriz prevista em legislação

Paciente recebe atendimento em ala do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (MG)
Paciente recebe atendimento em ala do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (MG) – Eduardo Knapp – 18.jan.17/Folhapress

O Ministério da Saúde decidiu aumentar os valores pagos para internações de longa duração em hospitais psiquiátricos, na contramão do previsto na lei da reforma psiquiátrica —que privilegia atendimento a pacientes com transtornos mentais fora desses estabelecimentos.

Sem alarde, a pasta publicou na última semana uma portaria que reajusta em até 60% as diárias pagas aos hospitais por atendimento de pacientes internados por mais de 90 dias ou que são reinternados em intervalo menor de 30 dias.

Com a mudança, internações que custavam de R$ 29,50 a R$ 41,20 por dia devem custar entre R$ 47 e R$ 66.

Desde 2009, os valores de cada dia de internação previstos pelo SUS variam conforme a quantidade de leitos de cada hospital psiquiátrico. Hospitais com até 160 leitos, assim, recebem mais do que aqueles com mais de 400 leitos. O objetivo, com esse critério, é evitar a hospitalização excessiva e a criação de estruturas semelhantes aos antigos manicômios.

O reajuste definido agora apenas para internações que se prologam por mais de 90 dias foi visto por parte dos especialistas como novo estímulo aos hospitais psiquiátricos.

A mudança ocorre menos de oito meses após a gestão Michel Temer (MDB) aprovar mudanças na política nacional de saúde mental, com medidas que acabaram por reincluir oficialmente esses hospitais na rede de atendimento.

A lei da reforma psiquiátrica, aprovada em 2001 e ainda em vigor, privilegiava atendimento na rede ambulatorial. Também previa fechar, pouco a pouco, todos os leitos em hospitais psiquiátricos e substituí-los por leitos em hospitais gerais. Esse fechamento acabou suspenso em dezembro de 2017.

“Em um cenário de ajuste fiscal, o governo dá um aumento só para um tipo de serviço, sendo que é o mais contestado do ponto de vista técnico e de direitos humanos”, afirma Leon Garcia, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

Ele avalia que a medida incentiva hospitais a manterem pacientes internados por mais tempo do que o necessário.

“Há consenso na literatura de que internação por mais do que 90 dias não tem benefício terapêutico. O controle de um surto psicótico, de maneira geral, se faz em 15 a 40 dias. Se a pessoa passa quatro, cinco, seis meses internada, quando volta, é mais difícil a reinserção na comunidade”, afirma.

O Ministério da Saúde diz que o reajuste faz parte do conjunto de ações adotadas “para fortalecimento da rede de atenção psicossocial” e visa cobrir uma defasagem, já que esses casos não tiveram aumento no final de 2017.

Na ocasião, uma portaria reajustou as diárias para internações de até 90 dias (de R$ 49,70 para R$ 82,40).

Caso ultrapassasse esse período, a portaria previa redução de 50%. A justificativa era estimular hospitais a migrarem o paciente para a rede ambulatorial e evitar internações sem necessidade. A medida acabou retirada após ajustes no texto nos meses seguintes.

“O Brasil vinha fazendo há mais de 30 anos uma opção de cuidado ambulatorial e de não deixar pacientes em hospitais fechados. Ter um aumento como esse [para internações mais longas], na calada da noite, é totalmente absurdo”, afirma a psicóloga Lumena Furtado, professora de medicina preventiva na Unifesp.

Favorável à nova política de saúde mental, Antônio Geraldo da Silva, da Associação Brasileira de Psiquiatria, diz não ver risco de aumentar a hospitalização. Para ele, há baixo número de leitos, o que impede hospitais de manterem pacientes por muito tempo. “Se você põe um paciente para fora, no outro dia já tem outro.”

Hoje, há no país cerca de 18 mil leitos em 135 hospitais psiquiátricos, além de 2.471 Caps (centros de atenção psicossocial) e 1.355 leitos psiquiátricos em hospitais gerais.

Para Hugo Fagundes, superintendente de saúde mental da secretaria municipal do Rio de Janeiro, não há necessidade de internações longas.

“Não tem menor cabimento você não resolver uma crise em até três meses. Mais do que isso, seria um ponto completamente fora da curva.”

Questionado sobre a possibilidade de reajuste para outros serviços além das internações longas, o ministério diz não haver essa previsão. Afirma, porém, que a expectativa é de ampliação da rede de atendimento, com a habilitação de novas unidades de acolhimento e Caps neste ano.

Diz ainda que, apesar do reajuste a hospitais psiquiátricos, “os principais atendimentos em saúde mental são realizados nos 2.471 Caps no país, onde o usuário recebe atendimento próximo da família com assistência multiprofissional e cuidado terapêutico conforme o quadro de saúde”.


A NOVA POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL

O que são as diárias

Valor pago por dia de internação em hospital psiquiátrico. Pode ser completado com pagamentos extras conforme o valor de cada procedimento realizado no atendimento e também pelo gestor local

O que mudou

– Suspensão do fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos e reajuste no valor de diárias de internação

– Reinclusão de hospitais psiquiátricos na rede de atenção psicossocial

– Aumento do número máximo de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, que passa de 15% para 20%, com limite de 60 vagas por hospital, a serem incluídas em enfermarias especializadas

– Definição de novo modelo de Caps (centro de atenção psicossocial) para atendimento de usuários de álcool e drogas, em especial o crack

– Aumento do investimento em comunidades terapêuticas

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UBS Fluvial leva atendimento para comunidades no interior do Amazonas

” O SUS que funciona!”

Unidade Básica de Saúde Fluvial atracada no porto em Borba (AM) Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress Em locais distantes dos centros urbanos e de difícil acesso, barco é parte da estratégia para a promoção de saúde da família

 Unidade Básica de Saúde Fluvial atracada no porto em Borba (AM) Foto: Lalo de Almeida

Igaraçu é uma palavra em tupi que significa canoa grande. É também o nome de um barco que abriga uma Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) e atende a 42 comunidades de Borba, no interior do Amazonas. Mais de 3.000 pessoas são acompanhadas ao longo do ano pela equipe de saúde, que viaja pelo rio Madeira até os limites do município.

Quando não está navegando, a embarcação fica parada na própria cidade e se soma às seis UBSs que funcionam no local. Ali são recebidos pacientes como a merendeira e agricultora Ana Cleide de Almeida Vieira, 30, que mora na comunidade Floresta, a quatro horas de barco.

Ela conta que, antes da unidade fluvial, os profissionais de saúde iam até Floresta em pequenos barcos, e os atendimentos eram realizados em espaços improvisados, como o salão da escola. “Eu nem falava o que sentia, era constrangedor, a gente não conseguia se consultar direito.”

Hoje, Ana Cleide consegue fazer exames e consultas de rotina. A filha Mariana, de seis meses, tem as vacinas em dia. “Quando a UBSF vai lá, a agente de saúde avisa, e o barco fica pertinho. A gente até vê ou ouve que a UBSF tá chegando. A gente é bem atendido.”

O técnico de enfermagem Mauro Coutinho aplica vacina em Rodrigo Caio Brasil, 7 meses, no colo de sua mãe Rosineti Brasil, 25, na Unidade Básica de Saúde Fluvial em Borba, no Amazonas
O técnico de enfermagem Mauro Coutinho aplica vacina em Rodrigo Caio Brasil, 7 meses, no colo de sua mãe Rosineti Brasil, 25, na Unidade Básica de Saúde Fluvial em Borba, no Amazonas –Lalo de Almeida/Folhapress

A UBSF faz várias viagens, que duram de 12 a 20 dias. Entre os atendimentos realizados, estão consultas odontológicas, orientação para planejamento familiar, testes de gravidez, imunização e exames preventivos.

Rosinete Brasil, 25, por exemplo, levou o filho Rodrigo, de sete meses, para tomar vacina na embarcação atracada no centro da cidade. Ela viajou 12 horas de barco da comunidade Nova Morada para cumprir o calendário de vacinação. “Quando a Igaraçu for pra lá, eu faço só a consulta dele”, diz.

Nova Morada é uma das 200 comunidades conectadas por rios no município de Borba, que soma cerca de 40 mil habitantes em um território equivalente ao estado do Rio (mais de 44 mil km²). A região tem uma das menores densidades demográficas do país (0,79 habitante/km²) e foi a primeira a receber uma UBSF, em 2013.

Há pelo menos outras dez em funcionamento no norte do país (oito delas no Amazonas), todas custeadas pelo Ministério da Saúde.

Para chegar a Borba, a partir de Manaus, é preciso viajar 40 minutos em um avião bimotor (são aproximadamente 150 km em linha reta), seis horas em uma lancha ou cerca de sete horas alternando trechos de estradas e de rios.

A depender da localização, algumas comunidades do município só recebem atendimento três vezes ao ano, devido ao regime de chuvas, que impossibilita as viagens em períodos de seca do rio Madeira. “Pode demorar, mas elas sabem que uma hora a UBSF vai chegar”, afirma Manuelle Macedo, coordenadora de saúde bucal da cidade.

No caso de Rosinete, são três meses entre uma visita e outra. Ela gostaria que o barco estivesse perto de sua casa com mais frequência.

Mesmo com esses intervalos entre as visitas, ela considera que o atendimento melhorou. “Eu comecei a vacinar a minha filha mais velha só com seis meses de idade. O mais novo não, vem acompanhando desde que nasceu. Eu faço preventivos, consulta.”

O biomédico Dayan Ribeiro, 27, trabalha na Igaraçu há dois anos. Natural de Manicoré, perto de Borba, ele explica que parte dessa população ribeirinha passava anos sem atendimento. “São pessoas que iam pouco ao centro da cidade, onde há um hospital e outras UBSs, e por isso não tinham o hábito de procurar assistência”, conta.

Unidade Básica de Saúde Fluvial atracada no porto em Borba (AM)
Unidade Básica de Saúde Fluvial atracada no porto em Borba (AM) – Lalo de Almeida/Folhapress

Mesmo com maior acesso aos profissionais da saúde, muitos têm dificuldade em descrever os próprios sintomas. “Os pacientes chegam com “dor na pente”, que descobrimos ser dor na pelve, o que pode indicar uma infecção urinária, por exemplo.”

Outras dificuldades práticas precisam ser enfrentadas no dia a dia. Ribeiro conta que há problemas com o abastecimento de insumos e medicamentos. Ainda assim, ele gosta de atender na unidade flutuante. “Com a compreensão da importância do meu trabalho para os ribeirinhos, acho recompensador.”

Entre uma viagem e outra, a equipe, composta por 16 pessoas, tem períodos de descanso que vão de seis a dez dias. Além dos oito membros que dão apoio administrativo ao funcionamento da UBSF, há oito profissionais de saúde: médico, dentista, enfermeiro, biomédico, dois técnicos de enfermagem, um de saúde bucal e um de laboratório.

No começo de julho, quando a Folha visitou a unidade em Borba, não havia médico. A profissional que assumiria o posto havia desistido dias antes.

A dentista Genice Silva, 40, também amazonense, atende na Igaraçu desde a sua inauguração. Segundo ela, em uma viagem de 20 dias podem ser feitos até 400 atendimentos odontológicos. “Quando cheguei, pensei que não fosse dar conta”, diz.

De acordo com Lihsieh Marrero, professora de enfermagem da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Borba tem um histórico de investimentos em saúde. E conseguiu diminuir as taxas de mortalidade infantil, apesar de ainda estar longe dos parâmetros ideais. “Está em uma condição menos ruim do que estava. É um exemplo de articulação do município com estado e governo federal”, explica.

Os investimentos na Igaraçu e na qualificação e remuneração dos agentes comunitários de saúde são decisivos, na opinião de Lihsieh. “Eles têm papel fundamental, pois chegam até as casas das pessoas, conhecem as situações e coletam essas informações, que vão embasar as estratégias das políticas públicas de saúde”, afirma.

Unidade Básica de Saúde Fluvial atracada no porto em Borba, no Amazonas
Unidade Básica de Saúde Fluvial atracada no porto em Borba, no Amazonas – Lalo de Almeida/Folhapress

Para Rodrigo Silveira, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Acre e médico de família, a geografia do local favorece iniciativas como a UBSF. Ele defende o planejamento para garantir a continuidade do atendimento às comunidades no Amazonas. Nesse sentido, segundo ele, Borba é um exemplo a ser seguido.

“O rio Madeira é grande e caudaloso, o que facilita o acesso. Ali é possível atender toda a população”, diz o professor. Em outros locais, as UBSF poderiam ser usadas em sistema de consórcio, por mais de um município. Pelas características do Acre, três ou quatro cidades poderiam receber uma UBSF. “São muitas Amazônias. É preciso atender com unidades fluviais menores, ou navios da Marinha.”

Para o professor, iniciativas como a UBSF podem contribuir para a fixação de médicos no interior da região Norte. De acordo com um estudo divulgado neste ano pelo Conselho Federal de Medicina, o interior do Amazonas tem a menor densidade médica da região, com 0,17 médico para cada mil habitantes.

No interior de São Paulo, esse índice é de 2,02, pouco abaixo da média nacional, 2,18. Silveira acredita que as faculdades de medicina precisam olhar mais para o interior e, no Norte, especialmente para a floresta.

Na UEA, por exemplo, os estudantes passam por um estágio rural, em que atuam durante 45 dias com uma equipe do interior do estado. “Esse alunos poderão optar por se fixar num desses municípios no futuro”, afirma.

Ex-aluna da UEA, Genice afirma que o trabalho é gratificante, apesar do ritmo intenso dos atendimentos, pois lhe permite voltar às próprias origens e ver resultados. No início das atividades da Igaraçu, ela fez um levantamento que indicou que entre 70% e 80% das crianças menores de três anos já tinham cáries.

Em 2016, em nova pesquisa, identificou que 80% das crianças dessa faixa etária cujas mães receberam acompanhamento e orientações para higiene bucal estavam livres de cárie.

Para a coordenadora da Assistência Básica da Secretaria Municipal de Saúde de Borba, Ana Ermelinda Oliveira da Silva, a Igaraçu é fundamental para fazer valer as diretrizes do SUS: seus princípios de universalidade, equidade e integralidade. “A gente não poderia conseguir isso sem promover acesso às pessoas mais distantes.”

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Rede de saúde mental de São Bernardo do Campo é referência nacional

Paciente descansa em sua cama na Residência Terapêutica da prefeitura de São Bernardo do Campo. Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress Programa promove tratamento humanizado e dá nova chance a pacientes com transtornos psíquicos e usuários de álcool e drogas

Cláudia, 58, sorri enquanto assiste TV deitada em um sofá de tecido desgastado. Ela e outras nove mulheres vivem desde março deste ano na Casa Alegria, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

A moradia é uma das residências terapêuticas que fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial do município. Nelas, pacientes que tiveram longos períodos de internação em hospitais psiquiátricos tentam reconstruir seus laços afetivos e a referência familiar e recuperam a cidadania.

O programa, ligado à Secretaria Municipal de Saúde, conta com mais de 30 unidades básicas de saúde (UBS), nove centros de atenção psicossocial (Caps) e oito residências terapêuticas, além de um pronto-atendimento para pacientes em crises ou estado alterado de consciência. Inclui também oficinas, como marcenaria e costura, e atividades ao ar livre.

Usuários participam de oficina de marcenaria no Nutrarte , Núcleo de Trabalho e Arte, da prefeitura de São Bernardo do Campo.
Usuários participam de oficina de marcenaria no Nutrarte , Núcleo de Trabalho e Arte, da prefeitura de São Bernardo do Campo. – Lalo de Almeida/Folhapress

A rede virou modelo nacional de atendimento de saúde mental. Criada na década de 1990, segue as diretrizes da reforma psiquiátrica, que prevê o uso moderado da internação, a terapia e a reinserção do indivíduo na sociedade.

O diferencial em relação aos demais municípios é que o ingresso do paciente ocorre em qualquer estabelecimento da rede. Os psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais acompanham todo o atendimento e auxiliam os médicos generalistas do SUS (Sistema Único de Saúde).

São assistidos desde casos leves e moderados até os mais graves, como os egressos de instituições psiquiátricas, diagnosticados, em sua maioria, com deficiência mental e esquizofrenia.

De acordo com a psiquiatra e coordenadora técnica do programa, Cíntia de Azevedo Marques, a equipe acompanha todas as etapas. “Os casos leves e moderados têm atendimento diurno.

Nos casos mais graves, o acompanhamento é mais intenso; o paciente é medicado, faz terapia e abordagem familiar”, ela explica. “Quando melhora, passa a ir de uma a duas vezes por semana ao Caps, e, depois, vai ser atendido na UBS. Se piorar, volta a ter acompanhamento dia e noite.”

A maioria dos pacientes que foram internos nos antigos manicômios por muito tempo perdeu o vínculo familiar e tem dificuldade para falar. “Recebemos pessoas que foram internadas ainda de chupeta”, afirma a psicóloga Deise Kuroiwa, coordenadora administrativa da rede.

Mas a condição debilitada não impede o contato. Muitos buscam no tato ou por meio de gestos dizer o que não conseguem expressar em palavras. Cláudia (todos os nomes foram trocados) desvia os olhos da TV e faz um coração com as mãos para a funcionária que a trouxe para a Casa Alegria.

Usuárias participam de oficina de costura no Nutrarte , Núcleo de Trabalho e Arte, da prefeitura de São Bernardo do Campo.
Usuárias participam de oficina de costura no Nutrarte , Núcleo de Trabalho e Arte, da prefeitura de São Bernardo do Campo. – Lalo de Almeida/Folhapress

Sandra, 61, foi levada ainda jovem pelos pais à Clínica Psiquiátrica Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. Desde então, não sabe o paradeiro do filho, que era pequeno na época de sua internação.

Quando perguntada sobre como era viver naquele hospital, seus olhos se enchem de lágrimas. Diz estar mais feliz agora na casa, onde “pode comer comida boa”.

Assim como no caso de Sandra, a internação pelos próprios familiares é recorrente. A sensação de abandono agrava ainda mais o quadro, dificultando a reinserção social.

Para Rodrigo Fonseca Martins Leite, psiquiatra e coordenador ambulatorial do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, existe um estigma muito grande associado a ter um transtorno psiquiátrico. “A possibilidade de saírem dessa condição e voltarem a ter autonomia, cuidarem de si próprias e de suas casas é fundamental para o tratamento”, explica.

O convívio nas novas casas ajuda a recuperar as referências familiares, e muitos criam laços afetivos com a equipe. “Aqui somos uma família”, diz Elizete Borges de Oliveira, 42, cuidadora da Casa Vida, onde vivem dez homens.

De acordo com o secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Geraldo Reple Sobrinho, o sucesso da rede, que existe há mais de 15 anos, deve-se à parceria entre a Faculdade de Medicina do ABC e a secretaria.

Segundo ele, o orçamento municipal para o setor atinge R$ 1 bilhão por ano. “A rede recebe, inclusive, pacientes de outros municípios, que vêm buscar nosso atendimento diferenciado”, afirma.

No Brasil, entre 2008 e 2018, mais de 2,5 milhões de pessoas foram internadas pelo SUS em decorrência de transtornos mentais, como dependência química, esquizofrenia, deficiência mental ou demência. A enfermidade psíquica que mais registrou internações nos últimos dez anos foi a esquizofrenia, com mais de 900 mil casos.

A psicóloga Deise Kuroiwa afirma que o diagnóstico de esquizofrenia é demorado e que a maioria dos pacientes não recebe o tratamento adequado. Além disso, muitos profissionais têm preconceito.

“Eles sofrem com a exclusão dentro e fora dos hospitais. As pessoas têm medo e se afastam. Entender os problemas relacionados à doença é o primeiro passo para buscar soluções para o atendimento desses pacientes”, explica.

Enfermeira cuida de paciente na Residência terapêutica da prefeitura de São Bernardo do Campo.
Enfermeira cuida de paciente na Residência terapêutica da prefeitura de São Bernardo do Campo. – Folhapress

PROGRAMA DE ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL DE SÃO BERNARDO CONTA COM 438 PROFISSIONAIS E MAIS DE 16 MIL ATENDIMENTOS POR MÊS

Unidade Básica de Saúde (UBS) – 34 unidades
Pacientes com transtornos mentais leves são tratados na unidade básica; os casos mais graves são encaminhados aos Caps

Centro de Atenção Psicossocial (Caps) – 9 centros
Os pacientes são encaminhados pela rede municipal de saúde ou atendidos por demanda espontânea; as equipes traçam um projeto terapêutico específico para cada paciente

Pronto-atendimento (PA) – 1
Dispõe de 16 leitos para atender pessoas com delírios, alucinações ou distúrbios de comportamento que possam causar risco a si próprias ou aos demais

Unidade de Acolhimento Transitório (UAT) – 1
Acolhimento temporário (máximo de 6 meses) para pessoas em situação de vulnerabilidade e usuários de álcool e drogas

Residências Terapêuticas (RT) – 8 residências
Moradias destinadas a pessoas que tiveram longos períodos de internação em instituições psiquiátricas e podem reconstruir seus laços familiares e se reabilitar socialmente; as residências são divididas em masculinas e femininas e cada uma tem capacidade para dez moradores

Nutrarte (Núcleo de Trabalho e Arte)
Destinado a pacientes encaminhados pelos Caps, propõe oficinas para o desenvolvimento de habilidades manuais e a geração de renda

Remando para a vida
Programa terapêutico de promoção de esportes aquáticos (como caiaque e stand-up paddle) para pacientes com recomendação de prática de atividades físicas

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de São Bernardo do Campo

*Esta reportagem foi produzida pela equipe do Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde, patrocinado pela Roche.

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A Reforma trabalhista pesa na balança da Justiça contra o trabalhador

Sabe aquela editora onde seus jornalistas falavam horrores de sindicatos e associações de trabalhadores? Sim, aquela mesmo que demitiu mais de mil funcionários. Esses que escreviam contra o movimento sindical agora buscam as entidades para tentar conseguir garantir seus direitos negados pela empresa. Você lembra dos bancos que patrocinam deputados e senadores em suas campanhas eleitorais? Isso mesmo, o seu dinheiro banca os votos comprados por esses políticos que aprovaram a deforma trabalhista. As taxas e valores descontados na sua conta são utilizados contra você. Os bancários que reclamam as perdas salariais e as demissões não estão podendo mais reclamar na Justiça porque os patrocinadores dos eventos turísticos travestidos de palestras e seminários de magistrados estão levando vantagem nas barras dos tribunais do Trabalho.

Quem comemorou o fato da contribuição sindical ser facultativa como se isso fosse um grande ganho caiu direitinho na armadilha da deforma trabalhista que fez o canto da sereia para encobrir a verdadeira face horrenda de um novo texto da CLT onde os direitos seriam violados, feridos e letalmente acabados.

Esse cenário mostra que devemos contribuir com a luta e fortalecer nossas entidades representativas para continuar a jornada de defesa de nossos direitos. Não podemos aceitar a ideia de que nossos instrumentos de representação são nocivos, pois quem propaga essa mentira quer esvaziar a mobilização da classe trabalhadora e perpetuar a negação das conquistas que tivemos ao longo do tempo.

Nós da ASMS temos orgulho de todos nossos associados pelo entendimento claro de que estamos em uma luta de classes e devemos fortalecer o nosso lado na batalha. De maneira suficientemente estratégica, nossa ação tem sido no sentido de garantir direitos que conquistamos ao longo dos anos no serviço público municipal de Salvador. Nosso departamento jurídico tem sido uma ferramenta indispensável para o êxito de nossa atuação em nome da categoria. Esse serviço está disponível para os nossos associados e sempre na expectativa de bons resultados, mesmo diante de uma Justiça que ouve apenas o patronato, fala apenas para os seus togados e enxerga apenas os seus patrocinadores, desequilibrando sua balança em desfavor dos trabalhadores.

HUMBERTO COSTA é presidente da Associação dos Servidores Municipais de Saúde de Salvador